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Nova leitura: Budapeste do Chico Buarque

Março 23, 2009

Vejamos o que a crítica diz deste livro:

Budapeste é um livro que narra, ou melhor, é narrado por um ghost-writer… e já aqui começam os problemas. Daqui de cima do avião, de onde vemos Budapeste, percebemos que esta é uma narrativa sobre um tipo específico de imitação, a farsa. Porque fala de um indivíduo que vende a autoria do que escreve, e o produto vendido é um escrito à imagem e semelhança do comprador. Mas sobre a imitação mesma como o livro gostaria, uma imitação da imitação, como espelhos a se refletirem numa sala de espelhos, sua única imagem é um fosco, redondo e plano fracasso. Isto porque o ghost-writer é um José Costa com a cara, os vícios, os tiques, os maneirismos, o estilo, o vocabulário e a sintaxe de Chico Buarque de Holanda. Aquela declaração de Hemingway, de que escreveria um romance na primeira pessoa com um pé nas costas, por vezes é muito mal interpretada. Interpretam-na como se uma obra escrita com os verbos flexionados pelo pronome “eu” admitisse a transcrição do diário do escritor, ou melhor, ou pior, como se o “eu” narrador se confundisse com o “eu” pessoa física de quem escreve. Não sei se falo de corda em casa de enforcado, mas narrar é entrar na pele de um “eu” observado, mastigado, maturado, sentido, percebido, de experiência imaginado. Um imitar muito complexo, mistura de sentimento, intuição e inteligência. Alma e coração, diria. Em que medida, nem o demônio do Cervantes sabe.

Eu gostei dele. A ver que vos parece ao resto 😉

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