Finalmente este foi o livro escolhido. A polémica foi , está e será servid
a nas travessas do Treze no dia dezaseis ás nove p.m.E para fazer boca apenas um fragmentinho duma entrevista ao escritor encontrada na net.
Por falar em livros, você está lançando um romance, Milagrário Pessoal. É verdade que parte da história se passa em Olinda?
Sim. E é um livro sobre a história da língua portuguesa. Uma das personagens do romance nasceu a partir de um jantar, em Lisboa, em que eu conheci uma jovem linguista chamada Mafalda Antunes, cujo trabalho é recolher os neologismos que surgem nas ruas, nos jornais todos os dias. No meu livro, uma linguista inspirada em Mafalda encontra neologismos tão perfeitos que não parecem novidade, parece que sempre existiram. É algo que causa estranheza e ela procura um professor para falar a respeito. Ela entende que aquilo é uma revolução silenciosa, uma subversão da língua, capaz de mudar o modo das pessoas pensarem, porque o ser humano pensa com palavras. O velho linguista concorda com ela, até porque é um homem habituado ao maravilhoso, um sujeito que tem um diário, o Milagrário Pessoal, onde anota os milagres do cotidiano. Ele é um angolano, e angolanos são habituados a ver prodígios. Então, os dois partem em uma viagem em busca da origem desses neologismos perfeitos. É uma viagem através da língua portuguesa. O livro é passado em parte em Olinda, porque eles vêm para a cidade nessa viagem. Acho incrível que ninguém ainda tenha feito um romance sobre a língua portuguesa, com uma história tão rica, marcada por oito séculos de influência árabe, durante a ocupação da Península Ibérica, depois pela influência das colônias portuguesas.